Sábado, 21 de outubro de 2017

SERGIPE

Prefeitura de Boquim realiza fórum sobre os Desafios da Atenção Psicossocial
11/10/2017 às 10:29:55

O Dia Mundial da Saúde Mental, comemorado anualmente no dia 10 de outubro, foi lembrado pela Prefeitura de Boquim com a realização de um fórum que tratou sobre os Desafios da Atenção Psicossocial Hoje, com o objetivo de chamar a atenção para a questão da saúde mental global, que ultrapassa barreiras nacionais, culturais, políticas ou socioeconômicas. O evento foi organizado pelo Centro de Atenção Pscicossocial (CAPS) Braz Fernandes Fontes da Secretaria Municipal de Saúde e Bem Estar e fez parte de uma programação que iniciou no dia 2/10 e contou com exposição dos trabalhos realizados pelos usuários do SUS assistidos pelo CAPS e esclarecimentos a população através de entrevistas sobre “Saúde Mental e o CAPS” e o “Funcionamento do serviço CAPS - físico e profissional”.

 

Durante a abertura do Fórum, o prefeito Eraldo de Andrade parabenizou todos os envolvidos na organização e disse que “a Administração deve ser voltada para as pessoas, principalmente as mais carentes, e é isso que estamos fazendo. É nossa preocupação oferecer aos usuários do CAPS melhores condições, inclusive com um local mais adequado de atendimento, para uma melhor qualidade de vida”. O vice-prefeito Chicão Almeida disse que “eventos como esse fazem a diferença em uma Administração. Administrar não é só calçar ruas e reformar praças. A Administração reafirma o compromisso de cuidar das pessoas”. Para a secretária de Saúde, dona Ana Cruz, “é de extrema importância discutir a saúde mental para romper barreiras e disseminar a informação”. O secretário de Obras Luiz da Decon ratificou a importância da discussão sobre o tema, e a luta antimanicomial. A vereadora Imara Lima, que representou a Câmara Municipal de Boquim, parabenizou a organização e a gestão por abraçar a ideia e disse “que esse primeiro Fórum ficará marcado”. O ex-procurador Valdeonor Fontes definiu o evento como “algo ímpar e inovador. Trabalhos como esse demonstram a preocupação do Município, da Secretaria e da entidade CAPS, com os usuários”.

 

A coordenadora do CAPS, Leidilene Fontes, falou sobre o desafio de coordenar o Centro de Atenção Psicossocial e disse que “isso só é possível porque temos uma equipe capaz e funcional. Este dia vai além do tema, pois está sendo utilizado como oportunidade para legitimar o serviço implantado há 5 anos no município e que hoje é referência e para dar voz aos nossos usuários, que são cidadãos cientes dos seus direitos e deveres, e transmitir a real visão do trabalho que é realizado no CAPS”, disse ao apresentar o palestrante convidado, psicólogo José Augusto de Oliveira, especialista em saúde mental e membro da luta Antimanicomial nacional.

 

O psicólogo fez um breve relato sobre a reforma psiquiátrica no Brasil que por meio da extinção dos manicômios visa não somente a desinstitucionalização da loucura, mas também defender os direitos das pessoas em sofrimento psíquico. José Augusto citou a Lei Paulo Delgado, que ao longo de trinta anos vem contribuindo diretamente para a abertura de serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), as Residências Terapêuticas (RS), os Centros de Convivência, entre outros.

 

O Fórum proporcionou ainda uma Mesa Redonda com a participação de representantes da família e dos usuários do SUS assistidos pelo CAPS Bráz Fernandes Fontes, do psicólogo Alan Santana e da assistente social Dilea Carvalho. Emocionadas, Tainá e Clara, representantes das famílias dos usuários, falaram da importância do apoio da família para a reabilitação do indivíduo em sofrimento psíquico. “No início foi difícil para eu compreender porque a minha mãe estava indo buscar ajuda no CAPS, mas agora eu sei que os usuários são capazes, são pessoas iguais a mim e a você. Manicômios não desenvolvem pessoas”, disse Clara. Representando os usuários, Júlio Cesar deu um depoimento sobre sua trajetória na entidade e definiu o CAPS como “carinho, amor, pessoas e possibilidades. Cheguei a Boquim uma pessoa sem perspectiva, que não conseguia dar um passo sem ter um problema, mas a partir do momento que queremos mudar, tudo é possível. O CAPS Boquim abraçou a causa e aqui eu consegui acordar de novo para a vida. O CAPS hoje para mim significa família. É importante ter a coragem de procurar ajuda, seja a família ou a própria pessoa necessitada. No CAPS encontramos possibilidades”.

 

A assistente social Dilea ratificou a importância da presença da família e dos espaços no CAPS Bráz Fernandes Fontes, como a Assembleia dos Usuários e a Reunião com as Famílias, “que são norteadores, espaços de culminância do exercício da cidadania. Isso revela um traço histórico de todo esse movimento de reforma psiquiátrica, pois esses usuários não tinham fala”, disse ao fazer um breve relato sobre os dados de atendimentos no CAPS Boquim, a exemplo dos atendimentos em relação a crises, que de 2013 a 2017 foram 126. “Foram 126 crises no serviço que foram manejados pela equipe, evitando a internação dessas pessoas”, relatou Dilea. O psicólogo Alan Santana falou sobre a importância da desconstrução da lógica manicomial. “Nos dias atuais é necessário desmontar a lógica manicomial, essa que é uma dívida histórica que nós temos. Desmontar o pensamento manicomial na cabeça dos profissionais de saúde, na dos usuários, na cabeça dos gestores. Desmontar a lógica da judicialização, pois o CAPS é porta aberta. Desmontar a lógica manicomial que existe em algumas famílias, pois família é espaço de cuidado. Internar, afastar e cercear essas pessoas não pode ser uma rotina. É preciso ouvir os usuários para construir juntos”, defendeu.

 

Ainda dentro da programação do Dia Mundial da Saúde Mental, foi reinaugurado na Praça Hermes Fontes o monumento que lembra o Dia da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio. O monumento já existia na Praça, mas havia sido retirado. A Prefeitura de Boquim atendeu ao pedido dos usuários para recolocar o monumento pelo Movimento da Luta Antimanicomial, luta esta que faz lembrar que como todo cidadão estas pessoas têm o direito fundamental à liberdade, o direito a viver em sociedade, além do direto a receber cuidado e tratamento sem que para isto tenham que abrir mão de seu lugar de cidadãos.

 

Presentes ao evento a senhora Napolitânia Vieira, esposa do vice-prefeito Chicão Almeida, agentes comunitários de saúde, conselheiros tutelares, alunos do Sistema Educacional de Recursos Assistenciais em Práticas Humanas (SERAPH), acompanhados de sua diretora Belivânia do Espírito Santo, o coordenador do CRAS psicólogo Carlos Mário, a assistente social do CREAS Ketuly Nataly, familiares e usuários do SUS assistidos pelo CAPS Braz Fernandes Fontes.

 

 

ASCOM/Boquim